Como as medidas desta mesa são feitas
Cada linha da tabela é construída a partir de duas páginas públicas: a do recibo na B3 e a da ação que ele representa. Os dois preços são lidos no mesmo instante para que a diferença não seja ruído de horário.
As duas páginas e o mesmo instante
Cada linha do site junta o preço do recibo em reais, lido na sua página na B3, com o preço da ação correspondente, lido na página da ação no exterior. Os dois valores são capturados no mesmo momento, sem intervalo entre um e outro. Uma versão anterior desta mesa multiplicava o preço da ação por uma taxa de câmbio de outra fonte, e o ruído entre duas fontes lidas com minutos de diferença era tão grande quanto a própria diferença que se queria medir. Por isso, as duas pernas da comparação vêm de um único instante, e a taxa de câmbio usada é a que a própria página da ação publica para o valor em reais.
Essa escolha elimina a variação cambial entre o momento da leitura do preço em dólar e o momento da leitura da taxa. Se os dois lados não fossem simultâneos, uma oscilação pequena do câmbio poderia aparecer como um prêmio ou desconto do recibo que não existe. A mesa publica a diferença entre dois preços que foram vistos juntos, e é isso que permite comparar a porta de entrada aqui com a porta de entrada lá fora sem carregar o ruído de fontes diferentes.
A paridade é lida a cada execução, nunca guardada
A fração que o recibo representa é um número que a B3 publica e que pode ser alterado pelo emissor. Por isso, a paridade é lida novamente a cada execução da mesa, junto com os preços. Nunca se usa uma paridade armazenada de uma execução anterior. No passado, a B3 já recortou mais de uma centena de paridades de uma só vez, e uma paridade deixada para trás não parece errada: ela parece um prêmio grande demais.
Se a mesa guardasse a paridade, um recibo que passou a representar uma fração menor da ação apareceria como se estivesse muito mais barato do que a ação, quando na verdade o número antigo é que estava errado. Ler a paridade a cada execução é a única forma de manter a comparação justa. O leitor que conferir a paridade na página do recibo verá o mesmo número que a mesa usou, e qualquer mudança recente estará refletida na tabela.
Os dois cortes que derrubam uma linha
Cada linha é conferida contra si mesma antes de ser publicada. A paridade que os dois preços implicam é comparada com a paridade que a página do recibo declara. Se as duas discordarem além de uma faixa estreita, a linha é descartada. Essa discordância costuma indicar que uma das páginas foi lida num momento de instabilidade ou que houve erro na captura. Publicar uma linha assim seria publicar um número que não corresponde a nenhum dos dois lados.
Além disso, uma diferença entre o recibo e a ação que ultrapasse uma faixa larga também derruba a linha. Uma diferença desse tamanho não é mercado: é citação parada, erro de paridade ou falha de leitura. Em qualquer um desses casos, a linha é simplesmente omitida, e a tabela fica mais curta. Quando uma página não pode ser lida, a linha também fica de fora. Nunca se preenche uma linha com o valor da leitura anterior.
O que a diferença medida é, e o que ela não é
A diferença entre comprar o recibo aqui e comprar a mesma fração da ação lá fora é publicada exatamente como foi medida, inclusive quando é indistinguível de zero — e é isso que ela tem sido em todas as execuções desta mesa. Essa diferença é uma medida, não um aviso. A mesa não diz se o recibo está caro ou barato; ela mostra o tamanho do vão entre as duas portas no momento da leitura.
Essa medida não é uma previsão do que a diferença será amanhã, nem uma recomendação de comprar por uma porta ou por outra. Ela também não inclui custos de transação, impostos ou taxas de câmbio que o leitor pagará ao operar. A diferença medida é apenas a distância entre dois preços vistos ao mesmo tempo, e o leitor deve olhar para ela como um dado, não como um conselho.